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Descoberta fortalece teoria de que existe vida abundante em outros sistemas planetários.
Mais da metade dos 100 bilhões de estrelas da Via-Láctea podem ser orbitadas por planetas de tamanho similar ao da Terra, segundo astrônomos da Universidade de Toronto. O anúncio, feito ontem [20 de fevereiro de 200l ] durante a reunião da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em São Francisco favorece a tese de que pode haver vida abundante em outros sistemas planetários.
Os pesquisadores canadenses estudaram a luz emitida por estrelas semelhantes ao Sol e concluíram que pelo menos metade delas - e possivelmente até 90% - em toda a galáxia queimam grandes quandades de ferro, um indício da presença de planetas rochosos como a Terra. O coordenador do estudo, Norman Murray, disse que os resultados não apenas indicam que pode haver vida fora da Terra, mas que essa vida pode estar distribuída por toda a Via-Láctea. "E mais uma indicação de que a vida pode ser comum na nossa galáxia.
A equipe analisou a luz de 640 estrelas e encontrou evidências da queima de ferro em 466 delas. Os resultados foram então extrapolados para abranger toda a galáxia. Mesmo se apenas 1% das estrelas da Via-Láctea tiver planetas rochosos à sua volta, no entanto isso ainda representa bilhões de sistemas solares com o potencial para abrigar vida.
Um outro grupo de cientistas anunciou ontem (20 de fevereiro de 2001 já ter encontrado moléculas de carbono e grandes quantidades de vapor d'água dois dos principais ingredientes para a vida - próximos de regiões de formação de estrelas. "Isso fortalece bastante a possibilidade de existir vida além do nosso sistema", disse o pesquisador Martin Kessler, da Agência Espacial Européia (ESA). "Mostra que a complexidade química do carbono não é exclusiva da Terra."
Segundo Augusto Damineli Filho, do Instituto Astronômico e Geofísico (IAG) da Universidade de São Paulo, a abundância de água no espaço não é surpresa. "No universo há muito oxigênio e muito hidrogênio e a reação química para formar água ocorre com extrema facilidade." Damineli explica que existe água congelada na poeira de todas as nuvens estelares, mas ela só pode ser detectada quando é vaporizada pelo calor de um estrela jovem. "Cada composto químico emite faixas de luz bem características, em freqüências bem definidas", disse. "Na forma de vapor, a água é absolutamente inconfundível."
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Herton Escobar. com The Times e Associated Press, O Estado de S. Paulo, 21 de fevereiro de 2001. |