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Pesquisador da Ufrgs desenvolve modelo de rastreio que utiliza a tecnologia do celular

 


Tecnologia permite verificar a movimentação de pessoas infectadas pelo novo coronavírus

 

Se fosse possível usar uma máquina do tempo e voltar a 1973, o cenário seria vivenciar uma descoberta que revolucionaria a comunicação e as relações interpessoais. Antes, o que conhecemos hoje como a telefonia móvel estava limitada a grandes telefones instalados em veículos, e funcionando apenas quando o motor estava ligado. Justamente naquele ano, a Motorola produziu o primeiro telefone celular disponível comercialmente e a tecnologia não parou de inovar desde então uma ferramenta essencial para a comunicação para bilhões de pessoas.

E é se utilizando desse instrumento que o professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e professor dos Programas de Pós Graduação e Pesquisa em Arquitetura (Propar), Benamy Turkienicz, da universidade desenvolveu um modelo que permite rastrear passo a passo por onde uma pessoa contaminada se deslocou, os lugares onde esteve, no período anterior à manifestação do Covid-19. Conforme Turkienicz, existem duas alternativas para aplicação do modelo desenvolvido com recursos da universidade, Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), com a participação dos bolsistas Renato Silveira e Isabel Siqueira, e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A primeira delas envolve aplicativos do próprio celular que faz o rastreio de onde o usuário esteve. A segunda é, com a autorização do proprietário do aparelho, solicitar que as operadoras façam o rastreio, o que é mais efetivo e mais preciso em termos de geolocalização. Em ambos os casos, com autorização do usuário e sem identificação para os agentes que roda o modelo. "É a nossa contribuição, se utilizando da tecnologia e recursos existentes e de livre utilização, para definir locais potencialmente contaminantes ou com disseminação do vírus”, comenta.

O professor da UFRGS projeta que o modelo de identificação possa ser utilizado de forma eficiente e eficaz pelo governo do Estado e o grupo que desenvolve políticas de restrições e controle do Covid-19. Contudo, há três semanas ele vem se reunindo, sem sucesso, com seus integrantes para contribuir com o sucesso do distanciamento social. Dados do Ministério do Trabalho indicam que, desde o início da pandemia e até o final de junho, no Rio Grande do Sul foram 5.832 trabalhadores de frigoríficos gaúchos infectados, o equivalente a 20% dos casos confirmados no estado. “Já há indícios que esses locais e casas geriátricas são os locais com maior indicativo de contaminação. Com a aplicação do modelo desenvolvido seria possível saber onde os trabalhadores estiveram além de sua residência, e quem visitou essas casas. Isso permitiria um maior controle e uma testagem do público identificado”, conclui.