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Nossos Aplausos: projeto integra arte, tecnologia e interatividade no Ifal Arapiraca

 


Alunos desenvolvem obras que interagem com o público utilizando o conceito de segunda interatividade
por Elaine Rodrigues


Um sopro pode acender a brasa de uma obra de arte? Esse questionamento é feito e respondido pelo público da obra ‘Chaminé’, produzida por alunos do ArtIfal do campus Arapiraca, sob a orientação do professor de Artes e artista plástico Judivan Lopes. O ArtIfal é um programa de Extensão do Instituto Federal de Alagoas. Em Arapiraca, ele é formado pelo Geparti – Grupo de Estudos, Arte, Tecnologia e Interatividade, que é o tema desta semana da série de reportagens especiais do Ifal, intitulada ‘Nossos Aplausos’.

Para o professor Judivan Lopes, em toda arte existe tecnologia e ciência. E o projeto que integra o ArtIfal tem raízes no ArtVírus, um grupo adormecido, mas que desde meados de 2013/2014 é focado em intervenções urbanas. “A gente estava tocando em problemas da comunidade, problemas de políticas públicas. Uma das nossas intervenções foi na praça Ceci Cunha. Tinha um lago que ficou seco e encheram de lixo. Então, nós fizemos um monte de peixes com TNT, papelão e colocamos dentro desse lago. Nós chamamos a intervenção de ‘peixes no lago seco’. Aquilo chamou a atenção da comunidade e a prefeitura foi lá e consertou a situação”, lembrou o professor.

O grupo também fez intervenções polêmicas, como a instalação que questionou a violência no município. “A intervenção se chamava ‘por baixo do pano sob o tapete vermelho’. Tínhamos um tapete e em cima dele era como se estivesse a vítima coberta. Além disso, colocamos 74 cruzes identificadas com os nomes reais das vítimas assassinadas, com a matéria sobre a morte colada na cruz de cada um”, explicou Judivan, acrescentando que o trabalho chegou a participar do Festival de Artes de Goiás.


Em 2016, veio a motivação para produzir arte tecnológica. Cinco obras foram realizadas em 2017 e foi feita uma exposição em julho e agosto de 2017. Recentemente, a obra ‘Chaminé’ foi exposta durante um mês no Salão Arapiraca das Artes, na Casa da Cultura do município. “Ela tem um mecanismo que possibilita que cinco pessoas possam interagir com a obra. A gente trabalha com o conceito de segunda interatividade, derivado da segunda cibernética, que é essa interação de mão dupla, a obra como um sistema aberto. Você vai vivenciar a obra. Não é mais um contemplador, precisa interagir e faz parte da obra. A obra precisa do público para acontecer na sua plenitude”, explicou o professor.

A presença de alunos dos cursos técnicos do campus tem sido essencial no desenvolvimento da dimensão tecnológica dos trabalhos. O grupo é composto pelos bolsistas Natan Ferreira, Wagner Barbosa, Josué Leite, Kelly Chaves, João Paulo, Vitória Dayane, Giovana Suane e Carlos Eduardo. São voluntários Jarlisson Lira, Eliab Batista e José Renato. E atuam como colaboradores os egressos Diogo Tenório, Jeferson Silva, Ziel Mendes e José Silas.

 


“No primeiro ano, o professor chegou e começou a falar sobre arte e tecnologia. E o que mais me chama a atenção são os desafios que aparecem. É a oportunidade de pegar esse conhecimento das áreas técnicas e colocar na prática de uma maneira divertida, que é fazer arte”, explicou Natan Ferreira. A tecnologia que envolve a obra ‘Chaminé’ é o uso do Arduino, uma placa utilizada como plataforma de prototipagem eletrônica, capaz de tornar a robótica mais acessível e que, nesse caso, funciona como cérebro do trabalho. “Dentro do ferro, onde o público sopra, existem sensores de fluxo de água, então o Arduino pega a informação e traduz em pulsos elétricos. Ele é o componente responsável por acender as lâmpadas de led”, detalhou Natan, revelando um pouco do segredo da obra.

 

O aluno Wagner Barbosa ressaltou que os desafios de pensar a tecnologia em uma obra de arte foram responsáveis por unir alunos dos dois cursos técnicos da instituição, de Eletroeletrônica e Informática. E para o futuro, o grupo espera aumentar as produções. “A gente ainda tem muito a produzir, sempre nesse caminho: arte, tecnologia e informação”, frisou Wagner. Mas o grupo também ressalta que as obras só ficam completas com a participação do público. No caso da obra ‘Chaminé’, segue a resposta para a pergunta que abre esse texto: o público é o responsável pelo sopro capaz de acender a brasa de uma obra de arte.