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“As pessoas de verdade inspiram personagens”

 


Mais de mil estudantes participaram do Encontro com Escritores em Passo Fundo/RS. Atividade faz parte do projeto Jornada em Movimento
Por: Camila Guedes e Natália Fávero Fotos: Camila Guedes e Natália Fávero

 

Com muita expectativa, cerca de mil estudantes de oito escolas de Passo Fundo e também de Constantina e Nova Alvorada, na região Norte do Rio Grande do Sul (RS), se reuniram nesta quarta-feira, dia 28 de novembro, para receber as escritoras Helena Gomes e Simone Pedersen, no Encontro com Escritores. A atividade foi realizada no Centro de Eventos, no Campus I da UPF, e faz parte da ação “Caminhos e estações: leitores e autores”, que integra o projeto Jornada em Movimento, das Jornadas Literárias da Universidade de Passo Fundo (UPF).

Realizada desde o início do ano, a ação “Caminhos e estações: leitores e autores” tem como foco a formação permanente de leitores. Divididas em três momentos – que incluíram a formação dos agentes de leitura, por meio do curso de extensão “A leitura multiplicada: a formação do agente de leitura”, as Estações de Leitura e o encontro com os escritores –, as ações foram realizadas ao longo do ano de 2018 nos municípios de Passo Fundo, Marau e Lagoa Vermelha. O Encontro desta quarta-feira marcou o encerramento do projeto em Passo Fundo. Na quinta-feira, 29, a atividade ocorre em Lagoa Vermelha, e, na sexta, 30, em Marau.

Trabalho coletivo

Para um dos coordenadores das Jornadas Literárias, professor Dr. Miguel Rettenmaier, o projeto Jornada em Movimento foi um trabalho que envolveu o coletivo, com a participação dos estudantes, das escolas, dos professores e da comunidade. “A gente tem consciência de que a formação de leitores se dá socialmente”, disse, ressaltando também que a formação de leitores deve ser um projeto permanente. “Nosso trabalho envolve, em anos em que não há Jornada, esse tipo de iniciativa de aproximar os leitores da sua recepção. As crianças leram os livros, existe um trabalho todo orientado de apresentação do texto e de trabalho com esses textos em sala de aula, e, após isso, se dá o encontro com o escritor. Esse é o momento em que essas crianças já foram, de alguma maneira, jornalizadas em um trabalho que envolveu o coletivo, resultando em um leitor formado socialmente a partir de um trabalho permanente de formação de leitores”, completou.

Representando a Prefeitura de Passo Fundo, parceira da Jornada, a professora Dra. Ivânia Campigotto Aquino avaliou o projeto Jornada em Movimento como necessário para promover a literatura. “Quando nos inserimos na programação da Jornada em 2017 com as Estações de Leitura nas escolas, já percebemos que o envolvimento tinha sido algo surpreendente e inovador na forma de tratar as obras e no trabalho envolvendo os alunos. Para nós, isso deve ser uma prática contínua. Precisamos levar até os nossos estudantes essa ideia, para que eles percebam que é algo possível e para que vejam que ler realmente transforma. Isso faz eles participarem de forma diferente na sua comunidade e acho que a Jornada tem esse papel, e, agora, isso acontece de uma maneira que a gente consegue avaliar e ver no dia a dia da escola essa repercussão”, destacou.

O processo de escrita

Pela primeira vez em Passo Fundo, a escritora Helena Gomes falou com os estudantes sobre seu processo de escrita e respondeu às perguntas dos jovens leitores. Helena é jornalista, revisora e escritora, com quase 50 livros publicados para o público infantil, juvenil, EJA e jovem leitor, entre eles, obras finalistas do Prêmio Jabuti, com Selo Altamente Recomendável, adotadas por escolas e selecionadas pelo Catálogo da FNLIJ para representar a Literatura Brasileira na Bologna Children’s Book Fair. Na opinião da escritora, esse momento de encontro com os leitores é muito especial por vários motivos. “Acho que o que toca mais é o fato de que, quando você cria uma história, ela vem muito individual, é claro que a realidade é inspiração para as histórias, as pessoas de verdade inspiram personagens. Só que o trabalho do escritor é muito solitário. Por mais que você troque ideias com outros autores ou com aquelas pessoas de confiança que você tem, continua sendo um trabalho muito solitário”, explicou.

Para Helena, escrever um livro é como colocar um filho no mundo. “Ele nasce e você espera o que vai acontecer com a sua história, que começou lá atrás. E de repente você tem leitores, pessoas lendo a sua história, interpretando, cada um de um jeito, porque cada pessoa tem a sua leitura, seu modo de ver a obra, dando um feedback. Isso é uma riqueza muito grande, é muito gostoso. É muito legal você ver uma garotada reunida assim para falar dos seus livros, é uma grande realização”, pontuou.

A interação com os leitores

A escritora Simone Pedersen encantou as crianças do 1º ao 4º ano. Ela é doutoranda e mestre em Educação. Atualmente, é coordenadora da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ), em São Paulo. Publicou 43 livros entre romance, contos, crônicas, poemas e literatura infanto-juvenil e recebeu dezenas de prêmios literários.

Simone chegou contando histórias e misturando elementos reais com a ficção. Uma combinação perfeita para estimular a imaginação das crianças. A escritora respondeu a muitas perguntas, desde a composição dos personagens até o processo de escrita. “As crianças realmente têm interesse pela literatura. Querem saber o que te leva a escrever, como é o processo e com uma linguagem muito peculiar, elas fazem perguntas extremamente inteligentes. Esse encontro é uma oportunidade fantástica e esse trabalho das Jornadas deixa um grande legado”, declarou Simone.