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Entre
todos os planetas descobertos pelo homem, poucos têm tamanho semelhante ao da
Terra. Os astrônomos nunca conseguiram identificar fora do sistema solar
planetas relativamente pequenos que apresentem condições de abrigar vida.
Sempre toparam com imensos gigantes feitos de gás. Na semana passada,
cientistas canadenses divulgaram um estudo que indica que logo poderá sobrar
matéria-prima para essas pesquisas. Na análise da luz emitida por 450
estrelas semelhantes ao Sol, distantes da Terra mas ainda na Via Láctea, eles
encontraram indícios de que a galáxia transborda de planetas do tamanho do
nosso. A pista foram rastros radiativos de um material rochoso rico em ferro
encontrados nas emissões que partiam de mais da metade dessas estrelas.
Um
terço da massa terrestre é composto de ferro. Por isso, os
pesquisadores deduziram que a origem da radiação pode estar em corpos de
tamanho equivalente ao da Terra. Metade dos 100 bilhões de estrelas da Via Láctea
apresenta, em tese, condições para ter em suas órbitas planetas
semelhantes. A luz dessas estrelas demora 325 anos para ser captada na Terra.
Em estudos que envolvem estrelas tão distantes, as previsões são feitas com
base em cálculos matemáticos e nos sinais físicos que elas emitem. O
coordenador da pesquisa, Normam Murray, do Instituto Canadense de Astrofísica
Teórica, diz que serão necessárias técnicas inéditas e uma nova geração
de telescópios para tentar ver esses planetas. Isso deve demorar algumas décadas.
"Por enquanto, os estudos são apenas estatísticos", diz ele.
Os cientistas dizem que a chance de haver vida em outros sistemas solares aumenta se a existência dos planetas se confirmar. Outro estudo de que se soube na semana passada acendeu essa expectativa. Pesquisando nuvens de gás nas regiões de formação das estrelas, astrônomos da Agência Espacial Européia e da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, encontraram ingredientes básicos para a composição de vida. Acharam ondas de vapor de água e benzeno, uma molécula de carbono de estrutura complexa. A combinação foi detectada em vários pontos da Via Láctea por pequenos telescópios espaciais que giram em torno da Terra. O que mais espantou os pesquisadores foi a quantidade de benzeno. Acredita-se que essa molécula possa representar um ponto de transição entre os elementos mais simples já descobertos no espaço e as complexas estruturas bioquímicas que dão origem aos seres vivos.