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ESTUDO DA FÍSICA

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A TRAJETÓRIA DE UMA TEORIA 

Em 1927, o padre e astônomo belga Georges Lemaitre publicou um artigo que explorava o que aconteceria às equações da gravidade, de Albert Einstein, se o Universo estivesse em expansão. Na época, a maioria dos cientistas, e até mesmo Einstein, imaginava o Universo como algo estático. Mas o matemático russo Alexander Friedman já elaborara, alguns anos antes, a tese de que a expansão era um quadro mais provável.

Reunindo idéias de Einstein e de Friedman, Lemaitre chegou a uma conclusão fascinante, a de que, um dia, toda a matéria do Universo estivera num só lugar, aprisionada num "átomo primordial"de massa impensável.

A maioria dos pesquisadores riu das idéias de Lemaitre, em parte porque temiam que essa teoria fosse uma tentativa de dar crédito à versão teológica do momento da criação.

Dois anos depois, Edwin Hubble, em cuja homenagem foi batizado o telescópio espacial, anunciou uma das grandes descobertas da Astronomia. A luz das galáxias distantes apresenta um desvio para o vermelho, em termos de comprimento de onda. Quanto mais distante a fonte de luz, maior seu desvio para o vermelho. Isso significa que as galáxias não são fixas como gloriosos candelabros, mas distanciam-se umas das outras.

Hubble tinha descoberto exatamente o que previam as teses de Friedman e Lemaitre. O movimento das galáxias sugere que, em determinado momento, toda a matéria estava concentrada no mesmo lugar e, em seguida, se expandiu. Parece que o Universo começou mesmo com uma explosão.

Nem todos se convenceram. O astrônomo britânico Fred Hoyle empenhou-se em demonstrar que o Universo não teve um início específico, mas existe num "estado estável". Hoyle não concordava com a idéia de um instante da criação e, por ironia, começou a chamá-lo de Big Bang. O nome pegou.

Em l965, um aspecto central da teoria do Big Bang foi comprovado quando dois radioastrônomos norte- americanos, Arno Penzias e Robert Wilson, descobriram que os imensos espaços entre as galáxias não são vazios, mas emitem uma radiação a uma temperatura próxima dos 3 kelvins, ou seja, pouco acima do zero absoluto. O calor das estrelas está concentrado nos sistemas solares e não pode ser a causa dessa radiação de fundo.

A única explicação plausível até agora é a de que um dia, o Universo esteve superaquecido e o melhor candidato para esse aquecimento é a detonação do Big Bang. Depois da detecção da radiação cósmica de fundo, praticamente todos os astrônomos e astrofísicos aderiram a alguma das teorias sobre o Big Bang.

Gregg Eastbrook, O Estado de S. Paulo, 25 de julho de 1998,
Traduçáo de Ruth Helena Belinghini