Adeus aos óculos
Depois da
miopia, é a vez da cirurgia
a laser para corrigir a hipermetropia
Sérgio
Teixeira Jr.
Chegou
a vez de quem tem hipermetropia, deficiência que dificulta sobretudo
a visão de perto. Uma operação relativamente simples, de apenas
cinco minutos e que não exige internação, pode ser a solução
definitiva na maioria dos casos. Em vez do assustador bisturi, o
problema é resolvido com feixes de raio laser. Não há sangue
derramado, dor ou cuidados extraordinários no pós-operatório. O mais
fascinante é que o paciente já sai da clínica com a visão em foco,
dispensando os óculos. Até bem pouco tempo atrás, essa era uma
bênção restrita aos míopes, cuja deficiência é a visão de longe.
Faltava aos equipamentos a precisão necessária para ser usados na
operação de hipermetropia. Só no ano passado a nova técnica
cirúrgica foi liberada nos Estados Unidos e rapidamente se difundiu
no Brasil. "Hoje, a operação de hipermetropia tem resultados tão
bons quanto a de miopia", diz o oftalmologista Ednei Nascimento,
presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Refrativa.
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Antonio Milena
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Solheiro:
leitura de receita logo após a cirurgia |
Há
dois hipermétropes para cada três míopes. A hipermetropia
caracteriza-se por uma anormalidade na curvatura da córnea, menor
que a normal (veja quadro). Não deve ser confundida com a
presbiopia, a vista cansada decorrente da idade, ainda sem cura. Em
pequeno grau, a hipermetropia chega a ser ignorada pelo paciente,
pois não exige óculos corretivos para dirigir ou assistir a um
filme. Nos casos mais graves, a hipermetropia torna-se um terror
estético, pois os óculos corretivos dão a impressão de aumentar o
tamanho dos olhos. Talvez por isso o preço relativamente salgado da
cirurgia – em torno de 1.500 reais por olho – não tem servido para
diminuir a procura nos consultórios. "Li uma receita médica
imediatamente depois da operação", alegra-se José Luiz Solheiro,
delegado do Patrimônio da União em São Paulo. Com 3,5 graus de
hipermetropia, duas semanas atrás ele entregou os olhos ao laser.
"Já nem me lembrava mais de como era ler sem os óculos."
Desde
a chegada das primeiras máquinas especializadas em correção de
problemas de visão, em 1991, o número de cirurgias realizadas no
Brasil cresceu em um ritmo espantoso. Em 1994, foram 15.000. No ano
passado, ultrapassaram a marca das 140.000. Apesar do entusiasmo com
a nova técnica, é preciso cautela. A cirurgia não se destina a
todos. Os médicos evitam operar pacientes com mais de 4 graus de
hipermetropia. Isso porque não há garantias de sucesso em casos de
deficiência mais acentuada. Dessa forma, o principal complicador em
potencial da operação é a expectativa do paciente. "O laser é muito
eficiente, mas não faz nenhum milagre", diz Paulo Augusto de Arruda
Mello, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. "Em muitos casos
sobra um grau residual, e o paciente deve saber que os óculos ainda
podem ser necessários para a leitura."

Sérgio
Teixeira Jr.
(Revista Veja - http://veja.abril.com.br/140799/p_073.html)
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